VAR no Brasileirão: só 4 tipos de lance são revistos, e a máquina não decide o impedimento
Neste artigo
Por que o VAR não entra em todo lance polêmicoAs quatro situações que o VAR pode reverO que é o "erro claro e óbvio"Como a revisão funciona, passo a passoImpedimento: a regra que o sistema confereO que mudou com o semiautomático no BrasileirãoÁudio do VAR: o que o torcedor pode ouvirErros comuns do torcedorOnde conferir e reclamarPerguntas frequentesFontesPor que o VAR não entra em todo lance polêmico
Já reclamou que "o VAR não chamou" numa falta comum no meio de campo? Pelo protocolo da IFAB, a entidade que escreve as regras do futebol, ele não poderia mesmo.
O VAR existe para corrigir poucos tipos de erro. Não é uma segunda arbitragem do jogo inteiro. Este guia mostra o que ele pode fazer, como funciona a revisão e o que mudou no Brasileirão com o impedimento semiautomático.
As regras citadas aqui foram consultadas em 6 de novembro de 2026.
As quatro situações que o VAR pode rever
São quatro, e só estas:
| Situação | O que entra na revisão |
|---|---|
| Gol ou não gol | Falta, mão na bola ou impedimento do ataque no lance do gol, além de bola que saiu antes |
| Pênalti ou não pênalti | Marcação errada e pênalti que passou sem ser visto |
| Cartão vermelho direto | Impedir chance clara de gol, jogo violento, conduta violenta, mordida ou cuspe, gesto ofensivo |
| Troca de identidade | Cartão dado ao jogador errado |
Há dois detalhes que costumam gerar confusão.
Segundo amarelo. O segundo cartão amarelo não entra na regra geral do vermelho direto. A exceção é o segundo amarelo claramente incorreto, que o protocolo permite cancelar, junto com a expulsão.
Escanteio. O protocolo atual prevê como opcional a correção imediata de um escanteio marcado errado, se a competição adotar isso e sem atrasar o reinício. Não confirmamos se a CBF usa essa opção, então vale não contar com ela.
O que é o "erro claro e óbvio"
A decisão de campo só muda em dois casos: quando a revisão mostra um erro claro e óbvio, ou quando um lance grave passou despercebido.
Na prática, isso explica por que um lance discutível pode ficar como foi marcado. A pergunta da revisão não é "o que eu marcaria?". É "o árbitro errou de forma evidente?".
O árbitro também precisa decidir primeiro. O protocolo não permite que ele deixe de marcar para esperar o VAR.
Como a revisão funciona, passo a passo
O caminho tem quatro etapas:
1. Checagem. O VAR confere os lances automaticamente, sem ninguém pedir. 2. Recomendação. Se enxerga erro numa das quatro situações, avisa o árbitro. Ele só recomenda: o VAR tem o mesmo status dos outros oficiais. 3. Revisão. O árbitro faz o sinal de TV e escolhe o tipo de revisão. 4. Decisão. O árbitro comunica a decisão final, mantendo ou mudando a marcação.
Quando o árbitro vai ao monitor
Há duas formas de revisão, e a diferença depende do tipo de lance.
- Revisão no campo: indicada para decisões subjetivas, como a força de uma falta ou a interferência de um jogador em impedimento.
- Só pelo VAR: indicada para fatos objetivos, como a posição do jogador no impedimento ou a bola que saiu.
Depois do jogo, a punição de um expulso segue outro caminho, explicado no guia STJD: como o tribunal pune jogador expulso. Um caso recente é o de Yuri Alberto, denunciado no STJD após a expulsão de 4 de novembro.
Até quando dá para rever
O limite é o reinício do jogo. Depois que a bola volta a rolar, não há mais revisão, salvo em duas hipóteses:
- troca de identidade;
- possível expulsão por conduta violenta, cuspe, mordida ou gesto extremamente ofensivo.
Lateral e escanteio, por sua vez, não podem ser mudados depois que o jogo recomeçou.
O que jogadores e técnicos não podem fazer
Jogador ou técnico não pede revisão nem pode tentar influenciar a decisão. O protocolo prevê:
- Advertência para quem exagera ao fazer o sinal de TV.
- Expulsão para quem entra na sala de vídeo.
Os jogadores devem ficar em campo durante a revisão, e reservas e integrantes das comissões, fora dele.
Impedimento: a regra que o sistema confere
Antes de falar da tecnologia, vale lembrar a regra. Pela Lei 11 da IFAB, estar em posição de impedimento não é infração.
O jogador está em posição irregular quando alguma parte da cabeça, do corpo ou dos pés está no campo adversário e mais perto da linha de fundo do que a bola e o penúltimo adversário. Mãos e braços não contam. Quem está na mesma linha do penúltimo adversário está em posição legal.
A infração só existe se esse jogador participa do lance depois do toque do companheiro:
- jogando ou tocando a bola;
- atrapalhando um adversário, por exemplo ao tirar a visão dele de forma clara;
- tirando vantagem da posição, quando a bola volta da trave ou de um adversário, ou depois de uma defesa.
Não há impedimento ao receber a bola direto de tiro de meta, lateral ou escanteio.
Isso mostra um limite importante da tecnologia. Ela mede a posição, mas a interferência continua sendo uma avaliação humana. Por isso, esse tipo de caso tende a ir ao monitor.
O que mudou com o semiautomático no Brasileirão
O sistema passou a valer na abertura da 20ª rodada da Série A, em 25 de julho de 2026, em todos os jogos daquela rodada. Antes, a CBF fez testes em categorias de base e em partidas da Série A disputadas depois da pausa da Copa do Mundo.
Quem fornece. A tecnologia é da Genius, segundo o Olhar Digital, que atribui à CBF a informação de uso em 65 estádios no mundo e em ligas como a inglesa, a mexicana e a belga.
Como capta o lance. Aqui as reportagens descrevem de formas diferentes. O Olhar Digital fala em cerca de 30 celulares no estádio, gravando em 4K a 100 quadros por segundo. O O Povo fala em câmeras de alta precisão, sensor na bola e reconstrução em três dimensões da jogada. Como não abrimos documento técnico da CBF, deixamos as duas descrições atribuídas.
Quanto de tempo poupa. A CBF cita redução de cerca de 33 por cento no tempo de definição, com base em três ligas que já usam o sistema. O dado é da entidade e não trata do Brasileirão.
Quem decide. A decisão continua humana. O software manda os dados, o VAR valida e recomenda, e o árbitro de campo decide.
E se o sistema falhar? Técnicos, capitães e público são avisados, e o VAR volta a traçar as linhas manualmente, como nas 19 primeiras rodadas.
Áudio do VAR: o que o torcedor pode ouvir
Esse ponto mudou nos últimos anos, e vale conferir a data da informação.
- Outubro de 2025: a CBF informou ter autorização da Fifa para divulgar, em até 24 horas, áudio e vídeo de lances sem revisão no monitor.
- Abril de 2026: ao negar um pedido do Vitória, a CBF disse seguir um critério da Comissão de Arbitragem definido no início do ano: só lances em que o árbitro vai ao monitor têm o material publicado.
Portanto, até onde apuramos, um lance checado sem ida ao monitor pode ficar sem áudio público. Não encontramos mudança posterior nessa regra, mas ela pode ter ocorrido.
Erros comuns do torcedor
- "O VAR marcou." Quem marca é o árbitro. O VAR recomenda.
- "Tinha que chamar em qualquer falta." Fora das quatro situações, não há revisão.
- "Foi errado, então o jogo tem que ser anulado." Em princípio, o protocolo não invalida a partida por falha ou decisão errada envolvendo o VAR.
- "A linha decide tudo." A linha mostra a posição. Se o jogador participou do lance, é outra análise.
- "Se demorou, deu problema." O protocolo não fixa limite de tempo.
Onde conferir e reclamar
Quer acompanhar um lance específico? O caminho é este:
1. Confira no site da CBF, na área de arbitragem, se o material do lance foi publicado. 2. Leia a súmula da partida para ver o motivo registrado pelo árbitro em cartões e ocorrências. 3. Acompanhe as manifestações do seu clube. O Vitória, por exemplo, protocolou representação e pediu os áudios.
O protocolo completo está no site da IFAB, em inglês. Em caso de dúvida sobre uma interpretação, prefira esse texto a resumos em redes sociais.
Perguntas frequentes
Quais lances o VAR pode rever?
Gol ou não gol, pênalti ou não pênalti, cartão vermelho direto e troca de identidade. O protocolo permite que a competição inclua escanteio marcado errado, de forma opcional.
Jogador ou técnico pode pedir o VAR?
Não. O protocolo diz que só o árbitro inicia a revisão, e o VAR confere os lances automaticamente, sem pedido de ninguém.
O VAR tem limite de tempo?
Não. O protocolo diz que a precisão vem antes da rapidez, embora a CBF apresente o semiautomático como forma de reduzir a espera.
O semiautomático decide o impedimento sozinho?
Não. O sistema envia os dados, o VAR valida e recomenda, e o árbitro de campo decide.
Um erro do VAR anula o jogo?
Em princípio, não. Segundo o protocolo, a partida não é invalidada por falha na tecnologia, por decisão errada envolvendo o VAR ou por não rever um lance.
O torcedor pode ouvir o áudio do VAR?
Em parte. Segundo a CBF, em abril de 2026, a regra da temporada só libera o material quando o árbitro vai ao monitor.
Fontes
- IFAB - Protocolo do árbitro assistente de vídeo (VAR)
- IFAB - Lei 11, Impedimento
- O Povo - Tecnologia do impedimento semiautomático começa a ser usada no Brasileirão
- Olhar Digital - CBF garante que impedimento semiautomático estreia no Brasileirão
- CBF - CBF recebe autorização da Fifa para divulgar decisões sem revisão no VAR
- TMC - CBF não divulga áudios do VAR em jogos do Vitória
Continue lendo
Dúvida no impedimento: braço não conta, lateral não vale e estar adiantado não é infração
Guia da regra do impedimento pela Lei 11 da IFAB: o que é posição irregular, quando vira infração, desvio ou jogada deliberada, e os erros mais comuns do torcedor.
Torcedor da Série B, C ou D: 15 clubes já trocaram de divisão para 2027, e a B decide mais 5
Quem sobe e quem cai nas Séries B, C e D em 2026, segundo os regulamentos da CBF, e os 15 clubes que já mudaram de divisão para 2027 (até 05/11).
Rebaixamento no Brasileirão: caem 4 times e o desempate começa por vitórias, não por saldo
Guia com as regras da CBF em 2026: quem cai nas Séries A e B, ordem dos critérios de desempate, confronto direto e como conferir se um time está rebaixado.