Torcedor de clube SAF: modelo faz 5 anos com 150 casos, e o site da SAF deve mostrar os donos
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150 clubes no modelo, mas poucos grandesQuem vendeu e quem ainda procura compradorO que mudou em junho de 2026 e como conferirPerguntas frequentesFontes150 clubes no modelo, mas poucos grandes
A Sociedade Anônima do Futebol chegou a 150 casos no Brasil. O número vem do Painel das SAFs, projeto de pesquisa do Observatório Social do Futebol (Uerj), e foi citado pelo colunista Irlan Simões no ge nesta quinta-feira (5/11/2026), no mês em que o modelo completa cinco anos.
A lei que criou a SAF é a 14.193, de 6 de agosto de 2021. A parte tributária, que tinha sido vetada, foi restabelecida pelo Congresso e publicada no Diário Oficial de 6 de outubro de 2021.
O que pesa no total? Segundo a coluna, cerca de 10 por cento dos casos são clubes que só trabalham com formação de atletas, e cerca de 19 por cento são clubes "de registro", que existem no papel, mas não disputam competição oficial.
Na parte de cima da pirâmide, a adesão é menor. Das 60 equipes das Séries A, B e C de 2025, só 25 teriam adotado a SAF, já contando o Avaí, de acordo com a coluna.
Quem vendeu e quem ainda procura comprador
O colunista aponta que nenhum clube de grande torcida criou SAF e vendeu o controle desde o Atlético-MG, em julho de 2023. Antes dele, Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Bahia e Coritiba venderam suas SAFs, três delas a grupos estrangeiros.
América-MG, Atlético-GO e Fortaleza adotaram o modelo, mas ainda não têm comprador, segundo a coluna. No caso do Fortaleza, a SAF foi criada sem esse objetivo, e a nova diretoria já indicou interesse em buscar investidores.
O colunista também vê queda no interesse de grupos estrangeiros. A única exceção, segundo ele, teria sido a entrada recente do Grupo Independiente, do Independiente del Valle, na SAF do Coritiba.
No Santos, a discussão segue aberta: a votação do estatuto que permitiria vender até 80 por cento da SAF foi adiada, como mostramos em reportagem desta semana.
O que mudou em junho de 2026 e como conferir
Para quem quer saber quem manda no time, a mudança mais útil veio com a Lei 15.427, de 3 de junho de 2026, que reformou a Lei das SAFs e entrou em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial.
Com a reforma, o site da SAF passou a ter de trazer:
- a composição acionária, com nome, quantidade de ações e percentual de cada acionista;
- o nome da pessoa física que controla ou é beneficiária final de empresa com 5 por cento ou mais do capital;
- as atas das reuniões dos conselhos e da diretoria, além das de assembleia, com trechos confidenciais podendo ser omitidos (a ata completa fica no livro da empresa).
Isso se soma ao que já era exigido: estatuto, atas das assembleias gerais, composição e biografia dos conselheiros e diretores e relatório da administração. Tudo deve ser atualizado todo mês, e os administradores respondem pessoalmente se não cumprirem.
A reforma também passou a exigir ao menos um membro independente no conselho de administração e outro no conselho fiscal. E a SAF que não criar o programa educacional e social obrigatório em até 12 meses, ou não firmar um novo em até 6 meses após o fim do anterior, perde o regime especial de impostos a partir do ano seguinte. A lei prevê que o Ministério da Fazenda regulamente essa regra.
O que fazer na prática? Procure no site oficial do clube a área de relação com investidores ou de transparência da SAF. Se a lista de acionistas não estiver lá, a lei em vigor diz que deveria estar.
Perguntas frequentes
Quantas SAFs existem no Brasil?
São 150 clubes constituídos como SAF, segundo o Painel das SAFs, do Observatório Social do Futebol (Uerj), citado no ge em 5/11/2026. Parte deles só forma atletas ou nem disputa competições oficiais.
O que a SAF precisa publicar no site?
Estatuto, atas, composição e biografia de conselheiros e diretores, relatório da administração e, desde a Lei 15.427/2026, a lista de acionistas com nome, número de ações e percentual de cada um.
Com que frequência essas informações são atualizadas?
O art. 8º, § 1º, da Lei 14.193 manda atualizar as informações mensalmente. Os administradores respondem pessoalmente se não cumprirem.
O clube que virou SAF continua dono de alguma parte?
O clube original fica com as ações da classe A. A lei exige aprovação prévia dele para qualquer mudança no estatuto que reduza os direitos dessas ações.
A dívida antiga do clube passa para a SAF?
Em regra, não. O clube original é o responsável pelas dívidas anteriores, com receitas próprias e repasses da SAF (art. 10). A SAF responde pelas ligadas ao seu objeto social, pelas que lhe forem transferidas e, de forma subsidiária, por execuções não pagas no regime centralizado após o prazo legal (arts. 9º e 24).
Fontes
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